Falsos diários de Hitler
- Detalhes
- Acessos: 75
A publicação dos chamados Diários de Hitler foi anunciada com destaque na capa da revista alemã STERN, em sua edição de 25 de abril de 1983. Ela havia pago a KONRAD PAUL KUJAU o equivalente a 2,5 milhões de dólares pelo lote de 60 manuscritos. No interior da revista foram publicados 42 fragmentos do diário, correspondentes à primeira de 28 entregas que seriam publicadas nos 18 meses a seguir. Os supostos Diários de Hitler abrangiam um período desde meados de 1932 até abril de 1945.
Um perito em documentoscopia contratado pela revista Newsweek estudou os diários e afirmou que não eram somente falsificações mas falsificações ruins. Na Alemanha, cientistas comprovaram que o papel, a tinta, a cola da encadernação, a capa em imitação de couro etc. datavam do pós-guerra. Hans Booms, diretor dos Arquivos Federais da Alemanha, afirmou que os diários eram uma flagrante, grotesca e superficial falsificação. Um colaborador de Booms encontrou uma das fontes dos diários: um livro de 1962, cujo título era “Hitler: Discursos e Proclamações 1932-1945”, de Max Domarus, verificando que o falsificador seguira cegamente esse livro, reproduzindo, inclusive, alguns de seus erros. A falcatrua teve início em 1981, quando Kujau dissera a Gerd Heidemann, periodista da revista Stern, que seu irmão, oficial do exército alemão havia contrabandeado, na Alemanha Oriental, uns diários desconhecidos de Hitler, colocando-os à venda. Ele explicou que os diários foram colocados em um avião, em Berlim, no final de abril de 1945, juntamente com outros objetos valiosos de Hitler, com destino aos Alpes bávaros, onde deveriam ser guardados. Contudo, o avião caiu e somente um passageiro sobreviveu, tendo um camponês resgatado parte da carga, onde se achavam os diários. Descoberta a fraude, Kujau acabou confessando, não sem envolver o periodista Heidemann. Dos anos depois, foram ambos condenados: Heidemann foi sentenciado a quatro anos e oito meses de prisão e Kujau a quatro anos e seis meses. |